O
texto de Calvino nos leva a refletir sobre o pensamento do Sr. Palomar que
acreditava ser possível construir um modelo perficiente que atendesse a todos
de forma linear, no entanto, quando ele se desprendeu da rigidez racional e
começou a perceber as especificidades da
natureza humana ele entendeu que isso seria impossível e reconheceu a necessidade da existência de
vários modelos, se possíveis transformados uns nos outros, capaz de atender as
diferenças individuais de cada pessoa.
O
universo escolar nos remete a necessidade dessa existência de vários modelos,
rompendo com a postura autoritária de um conhecimento pronto e acabado e uma
metodologia de trabalho inquestionável, sem significado para o aluno, e ao
mesmo tempo sem cair no risco do espontaneísmo pedagógico onde tudo é permitido
incontestavelmente.
Todo
aluno é considerado um ser histórico e social que interage com valores, normas,
vivências com outros indivíduos e realidades, sendo assim, devemos construir
nossos planos de trabalho respeitando o seu conhecimento inicial e suas
especificidades, e isso não deve ser diferente com o aluno com deficiência.
Infelizmente
algumas pessoas ainda veem a deficiência como uma incapacidade para aprender,
no entanto, entendemos que a deficiência é algo inerente a condição física ou
intelectual do aluno, já a incapacidade é o resultado da relação dessa
deficiência e as eventuais barreiras existentes no meio em que ele vive.
Uma
pessoa com deficiência visual, por exemplo, pode ser ou não capaz de utilizar o
computador. Se o computador possuir um programa de leitura de tela, as
barreiras desaparecem, ou seja, a deficiência permanece, mas a incapacidade de
mexer no computador não.
Esse
é o grande desafio para nós professores do AEE, construir modelos de atendimento
individuais, que partam do estudo de caso de cada aluno, objetivando eliminar
ou diminuir as barreiras físicas e atitudinais existentes, para que os alunos
com deficiência possam desenvolver ao máximo suas potencialidades transpondo os
conceitos preconcebidos que engessam todo o processo de inclusão social.

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